Sexta-feira, Abril 07, 2006
Frase do Dia

"O palhaço é o espelho em que a humanidade se vê de forma grotesca, disforme, bufonesca.É como a sombra. Sempre existe sombra. É assim como se perguntássemos : "A sombra morreu ? A sombra morre ? " Para que a sombra morra é necessário sol a pino sobre a cabeça. Só então, a sombra desaparece. Eis que o homem completamente iluminado faz com que deixem de existir seus aspectos caricaturais, disformes, bufonescos."
Fellini
Anjo Caído: Karla Mourão

Do palhaço tentei roubar a alma.
Congelar o temerário gesto
que pede uma trégua
na tarefa de ser homem.
Do palhaço quis a inspiração
do riso mágico da imperfeição.
Deste ofício de homenagem ao ridículo,
de ensaio no erro,
exercício do tropeço,
quis conhecer a rotina.
Visitei palco e oficina
deste palhaço que insiste
na exaltação do feio,
na inquietação do débil,
sujo, sem futuro.
Do clown quis aprender a arte
de aceitar a pior parte.
Negação de reis e rainhas,
ao bufão restam migalhas dos bolos,
das mulheres,
das medalhas.
Resta forca ou calabouço.
Crime lesa-sociedade: esta leviandade
de revelar a face dos cavaleiros,
honrados e esgotados
por uma moral patética.
Poética, a moral dos palhaços.
Sem princípios ou finalidades.
Cabeças sacrificadas em nome da cômica verdade:
Todos nós bufões enrustidos,
sufocados pelo desejode ser Deus.
Anjo caído,
o palhaço não aspira à imortalidade.
Vive na dualidade:
mais erros que acertos,
mais feios que bonitos,
mais a alegria do risco,
que a tristeza da conquista.
Tentei aprender o chiste
que permite uma tréguana tarefa de ser forte.
Mil e duas noites,
andei a contar-me estórias
de anti-heróis.
Perdi oportunidades,
mas ganhei a alforria das coisas em desuso.
Jogada no encanto das impossibilidades.
E ao sono pós-melodias
acrescentei novos terrores:
Medo de ser perfumada,
bonitinha e ordinária.
O jeito e a prosa da corte
para ser aceita,direita...
Quiçá perfeita.
Para quem?
Pára-quedas.
http://www.galeria.jor.br/anjocaido-frame.html
Quinta-feira, Abril 06, 2006
Imagem do Dia
Quarta-feira, Abril 05, 2006
Frase do Dia

“O palhaço tem que possuir uma percepção aguda dos tempos e dos tempos do cómico. Tem que saber pôr em evidência alguns gestos necessários à acção e torna-los legíveis para o público.”
Dario Fo
Homenagem à Bety Gonçalves, aniversariante no dia de hoje e a nossa "palhaça" que mais brilha nos palcos de Cabo Verde

Terça-feira, Abril 04, 2006
Frase do Dia

“A arte do palhaço é alimentada também – não é inútil recorda-lo – pelo sentido de observação. Não posso deixar de afirmar que, tal como se tem ouvido musical, se tem também olho de palhaço"
Pierre Étaix, in Clowns et farceurs
História: o Prof. Mack

O professor Mack foi palhaço, ventríloco e ilusionista!
Fotografia de 1927
Fonte: http://www.spyrock.com
Técnica do Cloun: algumas notas importantes

01. Não explicar situações – por gestos, por exemplo – ao público. O público não é estúpido.
02. O palhaço deve ser generoso e bem disposto.
03. O palhaço nunca diz que não directamente.
04. Evitar o nível baixo (sentado ou deitado), pois será necessário um grande esforço para repor a quebra de energia.
05. Sempre, sempre, ser sincero.
06. O último olhar – no final de alguma cena – deve ser sempre dirigido ao público.
07. Um palhaço não toca no companheiro sem primeiro pedir licença.
08. O palhaço não ri, são os outros que o fazem.
09. Os dois palhaços não estão em acção em simultaneo. Um faz olhando o público, o outro observa.
10. Aceitar as propostas que aparecem, entrar no jogo.
11. Escutar os risos do público e tentar entender porquê: algo que funcionou!
12. Atenção aos gestos explicativos: são desnecessários.
13. As respostas devem ser dadas com as emoções, com o rosto e com o corpo.
14. Atenção ao olhar: ou é para o público, ou é para o companheiro. Nunca está perdido, nem no chão, nem no céu.
15. Não fazer coisas só por fazer, seguir uma linha lógica de acção.
16. Manter a concentração.
17. Não ter medo de exprimir emoções, para isso levar o tempo que for necessário.
18. Use o espaço disponível.
O que é o Cloun?

Cloun se traduz por palhaço, mas as duas palavras têm origens diferentes. Cloun, no inglês, segundo Ruiz (1987), está ligado ao termo camponês “clod”, ao rústico, à terra. Já palhaço vem do italiano “paglia” (palha), usada para revestir colchões: a primitiva roupa do palhaço era feita do mesmo tecido grosso e listrado do colchão. Outra origem é “palhaço” na língua celta, que originalmente designa um fazendeiro, um campónio, visto pelas pessoas da cidade como um indivíduo desajeitado e engraçado (Masetti,1998).
Para Fellini (1986), o palhaço é mais de feira e praça, o Cloun de circo e palco. Tessari coloca que, tanto na língua comum italiana quanto na linguagem especializada do espectáculo, hoje não existe nenhuma diferença entre a palavra palhaço e a palavra Cloun, pois as duas palavras se confluem em essências cómicas. A primeira, no entanto, é usada, às vezes, como insulto, significando estúpido, ridículo e exibicionista, ou para indicar o cómico do circo.
As características do Cloun moderno circense, segundo Tessari, só podem ser definidas com segurança a partir da “troupe de Astley”, em que o Cloun é uma simbiose da máscara da Commedia dell’Arte e da tradição farsesca francesa e anglo-saxônica.
Para Fellini (1986), o palhaço é mais de feira e praça, o Cloun de circo e palco. Tessari coloca que, tanto na língua comum italiana quanto na linguagem especializada do espectáculo, hoje não existe nenhuma diferença entre a palavra palhaço e a palavra Cloun, pois as duas palavras se confluem em essências cómicas. A primeira, no entanto, é usada, às vezes, como insulto, significando estúpido, ridículo e exibicionista, ou para indicar o cómico do circo.
As características do Cloun moderno circense, segundo Tessari, só podem ser definidas com segurança a partir da “troupe de Astley”, em que o Cloun é uma simbiose da máscara da Commedia dell’Arte e da tradição farsesca francesa e anglo-saxônica.
O interesse pelo Cloun manifesta-se nos anos sessenta. Segundo Lecoq (1987), o circo se transforma e o Cloun sai do picadeiro para as ruas, para o teatro. Muitos jovens desejam ser Cloun; é uma profissão de fé e uma tomada de posição perante a sociedade. Ser Cloun significa mostrar as fraquezas pessoais (as pernas finas, a orelha grande, os braços pequenos) e enfatizá-las, usando roupas diferentes daquelas que usualmente as ocultam. O fenómeno, para Lecoq, ultrapassa a simples representação e seu espectáculo. Torna-se um modo de expressão pessoal. O Cloun põe em desordem uma certa ordem e permite assim denunciar a ordem vigente. Ele erra e acerta onde não esperamos. Toma tudo ao pé-da-letra no sentido primário e imediato: quando a noite cai (bum!), ele a procura no chão e nós rimos de seu lado idiota e ingénuo.
O Cloun torna-se, com o tempo para Lecoq, um profissional que deve saber realizar seus fracassos com talento, trabalho e técnica. É um caminho puramente pedagógico e coloca o comediante numa situação para além da representação clounesca.
Temos, dentro da literatura, do cinema, do teatro, tipos ingénuos e desajustados que vêm acompanhando nossas vidas, entre eles: Charles Chaplin, Gordo e Magro, Buster Keaton, Jerry Lewis, Mazzaropi (Wuo, 1999).
O Palhaço Interno

“Vou limitar-me ao que poderei chamar «o palhaço interno», às qualidades inerentes ao jovem palhaço que um actor poderia ou não apanhar. Quando Jacques Lecoq sugere aos alunos: «cada um tem que encontrar o seu palhaço, encontrar o palhaço que há em si!», que quer dizer realmente? Sentir-se espantado com o mundo, ser feliz com pouco. Conquistar um estado de frescura, para não dizer de infância, onde se consiga reagir a uma situação, divertir-se, inventar. Estar disponível, aberto, fazer despoletar a fantasia. Regressar à expressão simples, elementar, fundamental. Descobrir a utilização insólita de um objecto. Inventar um ‘gag’. Ter o corpo mole, leve. Liberto da gestualidade quotidiana. Viver uma situação do momento. Esquecê-la no outro. Fazer passar essa situação pelo corpo e não pelo intelecto.”
Odette Aslan, in Du Cirque au Théâtre, L’Âge d’Homme, Lausanne, 1983
A Frase

“É bem conhecida a facilidade com que os palhaços se fazem entender pelo público, e pena é que eles não saibam mais coisas para no-las dizerem daquela maneira tão agradável. Se eles soubessem tanto como os sábios, nós todos passaríamos a ser sábios por termos aprendido com os palhaços. Mas, infelizmente, os sábios não sabem dizer o que sabem, e os palhaços sabem, mas não sabem nada.”
Almada Negreiros



